Elas sustentam: Laudelina de Campos Melo

Mulheres que movem o serviço público  ·  Dia 2 de 5

Laudelina de Campos Melo: a mulher que fundou o primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil

Em 1936, numa cidade litorânea do estado de São Paulo, uma mulher negra nascida em Minas Gerais reuniu outras trabalhadoras domésticas e fundou uma associação. Não era comum. Não era esperado. Era necessário.

Laudelina de Campos Melo nasceu em 1904, em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Aos trinta e dois anos, em Santos, ela criou a Associação das Empregadas Domésticas — o primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil, num momento em que as domésticas eram expressamente excluídas da Consolidação das Leis do Trabalho, recém-elaborada pelo governo Vargas.

Essa exclusão não era acidente. Era escolha. A maioria das trabalhadoras domésticas do Brasil era — e ainda é — negra. Excluí-las da proteção trabalhista era uma forma de manter, sob nova roupagem legal, a estrutura de exploração que o Brasil escravista havia normalizado por séculos. Laudelina sabia disso. E não aceitou.

Por décadas, ela organizou, articulou e pressionou. Em 1961, refundou a associação em Campinas como sindicato formal. Participou de congressos internacionais. Lutou pela regulamentação da profissão — que só viria décadas depois, com a PEC das Domésticas de 2013 e, mais completamente, com a reforma constitucional que equiparou os direitos das trabalhadoras domésticas aos dos demais trabalhadores.

“Nós não queremos esmola. Queremos direitos.”

Laudelina não vivia no serviço público. Mas ela construiu, peça por peça, o argumento que fundamenta toda organização sindical: trabalhador sem organização é trabalhador sem voz. O SINDSFOP existe porque alguém, em algum momento, acreditou que vale a pena se reunir, se organizar e reivindicar.

Laudelina de Campos Melo morreu em 1991, em Campinas. A luta que ela iniciou ainda não terminou — mas o caminho que ela abriu é irreversível.


Segunda publicação da série “Mulheres que movem o serviço público”, produzida pelo SINDSFOP em homenagem ao Dia Internacional da Mulher 2026.