Elas sustentam: Conceição Evaristo

Mulheres que movem o serviço público  ·  Dia 1 de 5

Conceição Evaristo: a professora mineira que escreveu o que não podia ser silenciado

Hoje é 8 de março. E o SINDSFOP escolheu começar esta semana com uma mulher que carrega em si muitas das histórias que o Dia Internacional da Mulher foi feito para honrar: Conceição Evaristo, nascida em Belo Horizonte, em 1946, numa comunidade de periferia onde a água era buscada em morro e o livro, emprestado.

Antes de se tornar uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira contemporânea, Conceição foi o que muitas servidoras públicas desta cidade também são: professora. Lecionou na rede pública do Rio de Janeiro por décadas, conciliando a sala de aula com a escrita que ela mesma batizou de escrevivência — a arte de narrar a partir do próprio corpo, da própria experiência, da própria dor e da própria resistência.

Seus romances, seus contos e sua poesia partem de um lugar que o cânone literário brasileiro demorou a reconhecer: o cotidiano das mulheres negras, pobres, trabalhadoras. Em Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da Memória (2006), Conceição constrói personagens que não são vítimas passivas da história, mas sujeitas — mulheres que pensam, sofrem, resistem e constroem sentido mesmo quando tudo ao redor tenta apagá-las.

“Da minha escrevivência, da minha vivência de ser mulher, de ser negra, de ter nascido pobre, faço a minha escrita.”

Em 2018, Conceição Evaristo concorreu a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Não foi eleita. A repercussão foi enorme — não pelo fracasso, mas pelo que ele revelou sobre quem o Brasil ainda escolhe como guardião de sua cultura. A candidatura foi, em si, um ato político.

Para o SINDSFOP, celebrar Conceição Evaristo no Dia da Mulher é celebrar todas as servidoras que ensinam, cuidam, administram, planejam e sustentam o serviço público todos os dias — muitas vezes sem o reconhecimento que merecem. É lembrar que o trabalho das mulheres nunca foi apenas doméstico, nunca foi apenas invisível, nunca foi apenas suporte: foi e é estrutura.

Feliz Dia Internacional da Mulher. Que a escrevivência de Conceição seja o nosso ponto de partida para uma semana de memória e luta.


Esta é a primeira publicação da série “Mulheres que movem o serviço público”, produzida pelo SINDSFOP em homenagem ao Dia Internacional da Mulher 2026.